O CORÍNTHIANS É O BRASILDomingo, desembarcando em Salvador, ouvi a seguinte conversa entre um cidadão baiano e um presumível amigo, com quem ele dialogava pelo celular: Pode botar água de coco no gelo e separar o uiscão que nós vamos ver o gavião cair!. As incríveis audiências da última rodada do fim de semana revelaram que todo mundo estava ligado na definição do Campeonato. Seria natural imaginar que o sentimento de rivalidade entre torcedores de times diferentes de uma mesma cidade se acirrasse e mostrasse sua facção revanchista quando na eminência de assistir um revés do adversário. Mas nesse fim de semana, algo mais estava em jogo.Sendo o Corínthians um time tão popular, com uma imensa e incrível torcida espalhada pelo Brasil todo, não seria estranho imaginar que a sua situação delicada até o desfecho da rodada mobilizasse uma legião de fãs e adeptos. O Corínthians desperta em sua torcida uma devoção e uma fidelidade ímpar, indiscutível. O inverso disso é a antipatia das outras torcidas, numa mistura de hostilidade com inveja. Grandes paixões não são fáceis de assistir para quem está de fora.A torcida do Corínthians sofreu a dor que a impiedosa sequela da irresponsabilidade administrativa deixou em seu time de coração. E como é costumeiro e crônico no Brasil, quem pagou a conta não foram os articuladores de tal catástrofe. Toda a aventura com a MSI não demorou a cobrar seus direitos atrasados, não só sobre o futebol mas principalmente sobre os fiéis. O título de 2005, levantado pelo elenco vitorioso e estrelado que naquele tempo formava o alvi-negro, teve sua credibilidade manchada pelo escândalo da arbitragem e pelas declarações surpreendentes e reveladores do próprio presidente Dualib. Se não fosse por intermédio e pressão política da CBF, estaria em andamento uma CPI que pretendia esclarecer e desvendar o procedimento obscuro e suspeito com que foram feitas as transações milionárias dos tempos de Kia, e a maneira aparentemente ilícita da entrada de toda essa grana. Para não atrapalhar a indicação do Brasil para sediar a Copa, a CBF preferiu abafar esse caso para não riscar a imagem do futebol brasileiro perante a FIFA!O desfecho de tamanha rapinagem não demorou muito para acontecer. Em menos que dois anos o time do Parque São Jorge perdeu suas estrelas, entrou em colapso e botou uma safra de jovens jogadores promissores na fogueira, para serem sacrificados e injustamente resonsabilizados pelo rebaixamento indesejado. Crueldade! A penúria do clube, endividado e abandonado, se refletiu diretamente no campo. A pressão, a suspeita, a cizânia, a traição, a falta de transparência devem, certamente, ter invadido as quatro linhas e criado um clima de instabilidade que comprometeu o desempenho até mesmo de quem sabe jogar bola.O aspecto mais lamentável de toda essa situação é ver que todo o amor que a torcida corintiana despende e entrega para o seu time não encontrou nunca correspondência na cúpula que dirigiu o clube para esse estado deplorável de indigência e o conduziu lenta e melancólicamente para a Segunda Divisão. E o paradoxo é que, nesse momento, a única força que o Corínthians tem para acreditar no acesso está justamente na paixão de sua torcida! O vergonhoso atraso para entrar em campo para o jogo de domingo é revelador da falta de grandeza de seus dirigentes desesperados. O castigo veio no primeiro minuto.Se há alguma coisa que estava anunciada é que uma hora o preço daquela aventura seria cobrado. Mas a fatura sempre bate na porta errada. Jerry, Cícero e demais corintianos não mereciam isso.
Nando Reis. 07/12/2007
terça-feira, 22 de abril de 2008
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